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Veja em "Cultura" um dos bairros mais antigos da cidade de São Paulo.
História do Brasil, São Paulo e do Bairro (recomendadas para pesquisa escolar).

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História do Ipiranga - parte I - A
Obs: A história se divide em quatro Partes - Parte I A - Parte I B - Parte II - Parte III
 
IPIRANGA

O Rio Ipiranga é um afluente do Rio Tamanduateí, e ensejou aos primeiros paulistanos a preferência de escolha do nome de uma vastidão de terra situada a sudoeste de São Paulo. Dista, aproximadamente, 4 quilômetros do centro, até o início de sua área onde se limita com o Bairro do Cambucí.
O regionalismo político assim define sua posição geográfica: ao Norte, tem como limite às administrações regionais da Sé e Mooca, e ao Sul, São Bernardo. O município de São Caetano é seu limite ao Leste, e o Bairro Vila Mariana o do Oeste.
Considerada como sendo vasta sua rede hidrográfica, numa região assolada por enchentes desde seus primórdios, os rios Tamanduatei e Ipiranga sempre foram um transtorno para a população, que a partir de épocas remotas tenta combater essas tragédias que ainda se repetem a cada ano na estação das chuvas.
Além daqueles dois rios, o Ipiranga dispõe de inúmeros córregos, citando-se o Cacaréco, Jaboticabal, Moinho Velho e Capão do Reino. Estes agora estão parcialmente canalizados, mas correm a céu aberto nos fundos de quintais e terrenos baldios.

Imagem é cortezia do Site,
Rio Ipiranga - Dentro do museu

O nome Ypiranga, dado ao riacho que se tornou célebre e passou a ser chamado de rio após D. Pedro proclamar a independência do Brasil, deriva-se do dialeto tupi-guarani (dos índios Guaianazes).
O significado desta palavra tem suscitado controvérsias, desde quando Martius, em seu tratado clássico sobre termos e denominações brasílicas, afirma que Ypiranga"significa Água Roxa", tradução adotada por Azevedo Marques. Porém, o tupinólogo João Mendes, abordando o aspecto fonológico, aclarou esse" engano de interpretação de muitos nomes e textos deixados por jesuítas e silvícola ".
Abaixo está na integra a referência do ilustre tupinólogo:
Ipiranga - afluente do rio Tamanduatei, pela margem esquerda do município de São Paulo. Célebre por ter sido nas suas margens que o Príncipe Regente D. Pedro, depois Imperador do Brasil, ergueu o grito da Independência do Brasil em 7 de setembro de 1822.
Y - relativo
PI - centro, fundo.
RÁ - desigual, não nivelado.
A - empinar, com o sufixo NGA (breve) para formar o supino.
Nada tem, portanto, estes ribeirões e córregos com "água vermelha" ou "rio vermelho". O indígena não teria cometido este senso.
Comemoramos o aniversário do Bairro do Ipiranga aos 27 de Setembro de 1584, data em que aparece a primeira citação do "Ireirepiranga" nas Atas da Vila de São Paulo.

Na época os portugueses só haviam assimilado o linguajar dos indios guaianazes (Tupy Guarani), primeiros habitantes do lugar, e pronunciavam o nome quase sempre associado ao rio, que levava ao litoral, de diversas maneiras: Ipiranga, Piranga, Hiporanga, Ibipiranga, Opiranga, e Ireiripiranga.


Caminho do Mar

O Caminho do Mar, denominação estabelecida pelos brancos, era uma antiga estrada que ligava São Paulo a Santos e São Vicente passando por outros municípios, já palmilhada pelos índios quando aqui aportaram os primeiros europeus.
Havia muitos atalhos até o alto da Serra, originados pelo uso constante de diversas tribos acampadas nos arredores de Piratininga e cercanias, mas um único caminho que descia a encosta continuando depois em terreno plano, até atingir São Vicente e posteriormente Santos.
Os nativos caminhavam a pé ou se serviam de canoas, pois não havia cavalos na América e no século XVI com o uso continuado por tropeiros e viajantes, que se dirigiam à baixada santista pelo caminho mais próximo, formou-se o Caminho do Mar, então já uma estrada inicialmente partindo das proximidades do local onde seria proclamada a Independência.

Essa estrada durante vários séculos, foi a única que serviu aos viajantes que demandavam as praias, saindo de São Paulo ou aos que atingiam o Porto de Santos por via marítima com destino à esta Capital.
Até fins do século XIX, o Ipiranga foi considerado apenas uma paragem porque, por essas terras passavam tropeiros e viajantes que ali pousavam para prosseguir viagem no dia seguinte, dirigindo-se à cidade dos Andradas ou à pacata vila dos Bandeirantes.
Já na segunda metade do século XVI, essa região era citada como lugar de muitas chácaras e fazendolas, onde também havia pousos para viajantes, porém poucos moradores.

O do Moinho Velho Bairro mais antigo do Ipiranga, e do "Ciclo do Tropeiro", no parque da Independência, são os pousos primitivos, de acordo com anotações históricas.


(A paróquia provisória de São Vicente de Paulo teve a comemoração de sua criação oficial
no dia 25 de Janeiro de 1940 - O 1º Batizado realizado, foi da Sra Adilce Bonassi, nascida em 06 / 04 / 1940. - O 1º casamento realizado foi em 07 / 09 / 1940 do Sr Davino di Servi com a Sra Adelaide de Armelini.)


Imagem da Capela provisória de São Vicente de Paulo - cortesia do Sr. Edson Friedrichsen
da Paróquia de São Vicente. (Via Anchieta ainda de terra)



Hoje o Santuário de São Vicente de Paulo
, se faz de grande orgulho a todos os paroquianos do bairro do Moinho Velho e imediações.
Família Paternost
Vale ressaltar na história que talvez não foram registradas, assim como o da família "Paternost" que tanto colaborou na formação do Bairro e também da Paróquia, não poderíamos nos esquecer do Sr. Francisco Paternost, pois foi ele quem fez o loteamento do bairro, dando os nomes das ruas de rios da Europa, fazendo questão de deixar o espaço para a igreja e doando um lindo e grande vitral redondo que se encontra acima e na direção do altar da igreja.

(Texto acima em fonte azul e mídia - Cortesia do Site "Bairro do Ipiranga")


O Caminho do Mar posteriormente também chamado de "Estrada do Mar" era um antigo caminho que passar por via de transformações, no correr dos anos recebendo ao tempo o Governador Bernardo José de Lorena melhores atenções, com um traçado que aproveitava sendas e atalhos mais antigos perdidos nas selvas do alto da Serra.

O autor deste traçado foi o arquiteto Benedito Lima de Toledo, transformando-se o projeto numa estrada de nove quilômetros de extensão e cento e oitenta curvas, calçadas com Lages numa largura de três metros. Para comemorar o feitos, realizado na época que governava o reino D. Maria I, foi erguido no local um marco evocativo.

Muito antes em 1813, o viajante Gustavo Royer assim analisou o "Caminho do Mar": É um caminho seguro, em sig-zagues de ângulos curtos, protegidos por parapeitos, ladrilhados até a altitude de 700 metros, levando a subida cerca de 2 horas.
Quatro a cinco caminhos pareciam em muitos lugares correrem acima de nossas cabeças, e davam novos ensejos de admiração por uma obra para cuja conclusão foi necessário vencer tantos obstáculos naturais e aplicar milhões de cruzados.

Gavião Peixoto em 1837 autorizou novas obras permitindo a passagem de carros com o eixo móvel, removendo alguns obstáculos remanescentes dos melhoramentos efetuados em 1831. Oito anos depois, o "novo caminho" era percorrido por diligências e bangüês, e no ano seguinte ou seja, em 1846, D. Pedro II e dona Tereza Cristina dirigiam-se a São Paulo, via Santos, percorrendo-o com mais "rapidez e conforto".

Na década de 1860, a viagem São Paulo a Santos já podia ser feita em seis horas, denominando-se o trecho do planalto de Estrada do Vergueiro, em homenagem a José Vergueiro que empreendera novas obras visando à melhoria e dando-lhe condições de estrada de rodagem.

Após a inauguração da Estrada de Ferro Santos e Jundiaí, devido ao "" conforto "e a rapidez dos trens, o velho caminho, aos poucos, foi sendo relegado ao abandono que perdurou até a inauguração da Via Anchieta, obra gigantesca para a época, levando-se em conta as condições tecnológicas que possuíamos naquele tempo".


Os Irmãos Ribeiro

Vale ressaltar dessa época do Moinho Velho, imediações e Via Anchieta, histórias que aconteceram, mas não foram registradas e ficaram em nossas lembranças, assim como da família mais conhecida, os Irmãos Ribeiro.
Os Irmãos
Ribeiro vieram para o bairro em 1948 .
Moravam na região Araraquarence que na época era puro sertão, não havia estrada, somente o trem chegava ao local.
Eles apostaram na evolução do bairro e com muito sacrifício, pois na época não havia água, luz e esgoto e as ruas eram de terra, inauguraram o Cerealísta Sto. António.

Imagem cortesia do Sr Mario Ribeiro Prachedes. ( proprietário ainda do prédio atual)
A Via Anchieta ainda de terra e ao lado está a rua Riga.

(Essa foto foi tirada do outro lado da Via Anchieta, onde na mesma época foi inaugurada a Farmácia S. José,
que existe até hoje no mesmo local, há mais de 50 anos)
.


Os quatro irmãos levantaram a Bandeira da esperança e prosperidade do bairro e
toda a região vizinha, (ajudaram muito o povo e a comunidade da Igreja).

Imagem de cortesia do Sr. Mário Ribeiro -
Acima estão os Irmãos Ribeiro nos anos 40.
O Padre Horta da Igreja Santuário S. V. de Paulo foi quem inaugurou o Cerealísta Sto. António.
O Padre Adelino da mesma Igreja foi quem inaugurou o Supermercado Sto. António.


Eles acreditaram no progresso do bairro, que depois de Cerealísta foi transformado por eles em um dos primeiros Supermercados da Cidade de São Paulo. Os tempos passaram e os irmãos com mais idade e cansados, acabaram vendendo, onde hoje é o atual Supermercado Joanin.

Dois ou três anos depois com a chegada da luz na Via Anchieta, na mesma direção do Cerealísta, foi instalado um pequeno posto de gasolina.
No posto havia somente uma bomba de gasolina e a Via Anchieta ainda era de terra.

(Texto acima em fonte azul e mídia - Cortesia do Site "Bairro do Ipiranga")

A familia Fernandes
Valendo também ressaltar na história da mesma época a "Família Fernandes".
Tendo como profissões comerciantes e padeiros, inauguraram em 1953 uma padaria, a cinquenta metros do Cerealísta Sto. Antonio, (hoje Supermercado Joanin) na rua Riga, esquina com a rua do Chaco.
Foi inaugurada a padaria ¨Peninsular¨, com a benção do Padre Mourão, da Paróquia Santuário São Vicente de Paulo.
Estiveram presente na inauguração á convite dos irmãos, familiares, amigos e alguns políticos da época.
O pão benzido pelo Padre foi distribuído a todos que se encontravam no local.
Os tempos eram difíceis, como já mencionado acima, não havia luz, água e esgoto, as ruas eram de terra, porém um ano antes da inauguração da padaria chegou a luz, os postes eram de troncos de árvores.
Os Irmãos se desempenharam para entregar o pão a toda comunidade, pois ainda era época em que muitos faziam o pão em sua própria casa, havia pequenos bares e armazéns, porém em muitos não havia o pão para favorecer as pessoas.
A padaria chegava a desmanchar em média 20 (vinte) sacos de farinha por dia.
Nas épocas de chuvas colocavam o cesto na cabeça, para atravessar alguns córregos, pois as enxurradas levavam embora as pequenas pontes de madeira e nunca deixaram faltar o pão tão desejado e querido por todos.


Sempre favoreceram a comunidade com seus preços baixos e ainda com cadernetas "de fiado" aos menos favorecidos.

A vinda do Cerealísta e da Padaria incentivou muitos a comprarem terrenos, construírem suas casas nas imediações e a vinda de novos comerciantes.

Os irmãos Fernandes além de servirem o povo, ajudaram a Paróquia de São Vicente De Paulo.
Hoje, no local, não há mais a Padaria. O pequeno prédio foi dividido e locado a vários comerciantes.

(Texto acima em fonte azul e mídia - Cortesia do Site "Bairro do Ipiranga")


A família Dal Bem
Alguns anos depois em 1961, o Sr. Rubens Dal Bem Inaugurou o Depósito de Materiais de Construção na Via Anchieta, próximo a esquina do Cerealísta Sto. António, fazendo as entregas em carroça.



Foto: cortesia da família Dal Bem (frente ao Museu do Ipiranga)
O terreno era alugado, depois de algum tempo comprou um terreno na rua do Chaco, ao lado do depósito já funcionando.
Na época sofreram para entregar os materiais, quando chovia a situação era precária dificultando as entregas, tanto se fosse de Carroça ou de caminhão, pois acabava encalhando. Construiu sua nova sede
e permaneceu no local por muitos anos, mudando posteriormente para a rua Riga, na mesma proximidade da Via Anchieta, onde hoje é um lindo Buffet, pertencendo à sua família.
Os Dal Bem também colaboraram com o progresso do bairro e imediações.

Há muitas histórias assim parecidas como éssas dos anos 50 e 60, em nossa região.
Éssas três histórias acima foram aqui registradas para que não nos esqueçamos de bons e velhos tempos.
Os tempos eram difíceis, como já mencionado acima, não havia luz, água e esgoto.
As divisões e muros na maioria das propriedades eram feitos de cercas de madeiras, muitos na época de verão se esqueciam de fechar as janelas.
Nessa época não havia preocupações com ladrões.
Época que ao chegar um novo morador ao bairro com a sua família, todos procuravam ajudá-lo.
Foi época que todos se cumprimentavam e tiravam o chapéu ao cumprimento, em sinal de respeito.


(Texto acima em azul e mídia - Cortesia do Site "Bairro do Ipiranga")


A via Anchieta, estrada que liga os municípios de São Paulo a Santos, passando por São Bernardo e outras cidades menores, já foi a estrada mais movimentada de todo o país, antes da inauguração da Via dos Imigrantes. Inaugurada na década de cinqüenta, era considerada uma das mais perfeitas do mundo, projetada para substituir o obsoleto Caminho do Mar, traçada na época do Império (1842), e que naquele tempo denominava-se "Estrada da Maioridade", em homenagem a D. Pedro II, substituindo-se por sua vez a "Calçada de Lorena", inaugurada em 1792. Até o quilometro 13, na divisa com Rudge Ramos (Município de São Bernardo do Campo), está situada no bairro Ipiranga.

Atualmente, isto a partir de sua inauguração, A via Anchieta, até a divisa de São Bernardo do Campo, reúne a maior concentração de industrias do bairro Ipiranga, e inúmeros Bancos que ali mantém suas agências.
O Parque industrial da "antiga paragem tão distante", depois que a estrada foi inaugurada, tornou mais fácil e menos dispendioso o escoamento de produtos industrializados remetidos no porto de Santos, desenvolveu-se mais rapidamente e ensejou o surgimento ininterrupto de fábricas ao longo do antigo Caminho do Mar. Importantes firmas estão ali localizadas, do marco divisório, quer seja na parte industrial ou comercial.

Os Primeiros Povoadores do Ipiranga

Em 1570, embora não existam documentos que comprovem estas anotações, supõe-se que já haviam sítios e fazendolas localizados em terras do Ipiranga, onde seus proprietários, quase todos, passavam a maior parte do tempo cuidando dos afazeres, que são inúmeros.
Os gêneros de primeira necessidade eram escassos, e a situação precária em que se encontravam obrigava-os a se desdobrarem.
Alguns quem sabe os mais abastados, possuíam casa nas proximidades do Pátio do Colégio, e talvez fizessem parte do primeiro governo paulista constituído em 1556.

Nesse tempo ou seja, no século XVI, os povoadores pioneiros, por inexistirem bons caminhos que os levassem a cidade e talvez porque ainda havia índios hostís que poderiam surpreende-los de tocaias, os que possuíram terra no Ipiranga e outras paragens consideradas longínquas, só se dirigiam à vila quando se fazia necessário.
Uma petição de Brás Cubas que possuía muitas braças de terra na região Ipiranguista, datada de 1567, ratificou essa dedução.

Nela, entre outras constam as seguintes palavras, no original:

"... onde ele, suplicante, tem sua fazenda há muitos anos, a saber; uma ermida de Santo Antonio (muito tempo depois transferida para a praça do Patriarca), coberta de telhas e casas fortes, por respeito aos contrários, e gente e gado vacum e terras onde fez muitos mantimentos com que sempre ajudou a sustentar seus engenhos e desaguar os que hão nesta Capitania e as armadas de Sua Alteza, que na dita fazenda há muitos anos que tem vinhos com que dizem missas nesta Capitania, quando não se tem do reino, e com mantimentos da dita fazenda ajudou a sustentar as guerras que tivemos com estes nossos índios, no tempo que puseram cerco a vida de São Paulo, que haverá seis ou sete anos pouco mais ou menos lhe mataram muito gado e seus escravos, pelejando no dito cerca por defender a terra aos inimigos."


Mas a Igreja de Santo Antonio t
em uma história muita convertida. Aos padres franciscanos é atribuída sua construção, no início do século XVII porém, no testamento deixado por Afonso Sardinha (um dos primeiros povoadores), em 1592, está sacramentada a doação de dois cruzados à ermida de Santo Antonio. Isso elimina de vez essa suposição.

Nessa mesma época, os padres da Ordem Terceira do Carmo surgem como possuidores de terras no Ipiranga, doadas por Braz Cubas, e desejavam trocá-las por outras que estivessem situadas em local mais próximo da "cidade", para construir uma igreja.
Esses missionários alegavam que "a longínqua paragem (Ipiranga) era improdutiva e reconhecidamente ruim para plantações".
Em 1592 eles conseguiram erguer uma igreja à Rua do Carmo, fundada pelo frei Antonio de São Paulo. O Convento da Ordem Terceira do Carmo, na esquina com Avenida Rangel Pestana, é um dos mais antigos de São Paulo.

Domingos Luiz, alcunhado de "Carvoeiro", segundo Nuto Santana os historiados, era natural de Carvoeira, povoação do conselho de Torres Vedras, em Portugal.
A capela que ele e sua esposa Ana Camacho, haviam construído em 1579, estaria situada na região do Ipiranga.
Silva Leme o dá como: "natural de Marinhota, freguesia de Santa Maria da Carvoeira", e Gentil de Moura adverte que, "Domingos Luiz, o Carvoeiro, teve sua fazenda no rio Ireiripiranga, (Ipiranga) afluente do rio M'Boi, e nada tem com o conhecido bairro da Independência".
Daí é que veio a imagem de Nossa Senhora da Luz, transferida em 1583 para o local denominado Guaré (ou Guarépe), na região de Piratininga ".
(O Carvoeiro e sua esposa Ana Camacho, seria o primeiro ou estaria incluído entre os pioneiros que eram raros dentre os poucos habitantes de Piratininga que residiam no Ipiranga em seus primórdios.)
(Os portugueses que ainda não haviam assimilado o linguajar dos Guaianazes, pronunciavam a palavra Ipiranga de diversas maneiras: Piranga, Hiporanga, Ibipiranga, Opiranga e Ireiripiranga).
Portando Gentil de Moura poderia ter se enganado.

Quando Henrique Raffard visitou São Paulo, em 1879, declarou que tinham sido localizados, dois anos antes, 88 colonos libertados da tutela oficial, entre Lava-pés e o Ipiranga.
Disse ainda, também haver ali um depósito de pólvora, a morada dos guardas e o resto de um muro do tempo dos jesuítas.
Esses "restos" estavam "a cento e tantos metros dos lotes coloniais", e poderiam ter pertencido `a Igreja construída pelo Carvoeiro ".

Anchieta também se referiu a essa capela, em 1579, dizendo em sua carta que "Domingos Luiz estava acabando a Igreja. Já lhe dissemos missa nela com muita festa."
Infelizmente, a documentação existente da época extraviou-se, e sua localização permanece incógnita.
A capela de Nossa Senhora da Luz do Ipiranga (era assim que a chamavam) foi transferida quatro anos depois para a Avenida Tiradentes (antigo Guarépe), com o nome de Nossa Senhora da Luz, onde se acha até hoje, resistindo à ação do tempo após ter sido remodelada algumas vêzes.

Jorge Moreira surge como um dos mais antigos moradores do Ipiranga, supondo-se que teria residido nesse bairro (na época uma região distante) em 1579, onde possuíra terras (sesmarias) com plantação e criação de gado.
Registros mais antigos, datados de 1566 citam-no e também outro colonizador Garcia Rodrigues, outro colonizador pioneiro, como proprietários de sesmarias onde hoje localiza-(se o Butantã), quando o lugar do pouso para viajantes existente na atual Rua Alvarenga já era usado como ponto de partida em demanda dos imensos sertões.


O nome de Jorge Moreira está assinalado em quase todas as Atas da Câmara da Vila de São Paulo, até fins do século XVI. Foi almotacel em 1575, juiz ordinário em 1573, 1575, 1591 e 1597. Vereador em 1562, 1580, 1582, 1584, 1585, 1586, 1587, 1589, 1590 e 1599. em 1580, foi maposteiro dos cativos e, em 1575, capitão da vila.
Antes da Casa do conselho, em sua moradia, foram realizadas muitas sessões, e mesmo após quando havia necessidade de reformas. Em 1581, foi citado para mandar "três machos para fazer o caminho do Ibirapuera, e novamente incluído na lista de 1584, dos que deveriam faze-lo. Em 1593, quando ficou decidido abrir" um novo caminho, mais direito do que o primeiro, depois de Pascoela, é pelas terras de Jorge Moreira que se deve passar ".

Também Antonio Proença é mencionado como habitante pioneiro do primeiro núcleo de moradores do Ipiranga. Era um fugitivo português, que sequestrará uma freira, praticando portanto duas faltas graves; contra Deus e a Coroa.
Foi um dos protegidos de Braz Cubas, fazendo carreira nos postos de meirinho, vereador, capitão de cavalaria e estradas, juiz dos índios, ouvidor e capitão da vila de São Paulo. Casou-se com Maria Castanho e foi pai de apenas um filho, de nome Francisco de Proença, e quatro filhas que deram início às gerações dos Lara, Almeida, Tacques, Toledo e Morais. Faleceu em 1605.

Pedro Nunes é outro que aparece como primitivo povoador do Ipiranga, onde possuiu uma fazendola e chegou a ter 90 cabeças de gado. Era fraco por mulheres e, por isso, apontado como pai de inúmeras crianças bastardas, filhos de índias seduzidas por ele. Incorporou-se à bandeira de Nicolau Barreto, e após sua partida, em 1602, jamais soube-se notícias suas.

No "Arraial do Curral Grande", entre Ipiranga e Ibirapuera, em 1598 residia João Fernandes, conforme anotações do Registro Geral. O povoador Francisco Brito, também é desse tempo. Ele teve uma filha casada com um membro da família Pires, falecendo em 1616.
Belchior da costa, que atingiu os postos de tabelião, almocatel e escrivão da Câmara, fixara-se no Ipiranga, assim como Bartholomeu Fernandes, que declarou ser morador dessa paragem ao comparecer perante a Câmara para audiência, e Antonio de Marins, personagem literária da época de seiscentista.

José de Camargo, o "Sevilhano", figura legendária dos primórdios de Piratininga, casou-se com Leonor Domingues, filha do Carvoeiro, que lhe deu 8 filhos. Ao primogênito, Fernão de Camargo, irascível e tempestuoso e por isso o apelido de "Tigre", o destino reservara o triste episódio do assassinato de Pedro Tacques, cuja morte foi o estopim que deu início à uma tragédia que durou mais de uma geração, entre as famílias Pires e Camargo.

Muitos anos depois, quando vários crimes haviam sido cometidos por membros de ambas famílias, todos motivados pela morte de um parente, nasceu uma criança, fruto da união entre dois representantes dos clãs litigantes. Esse menino, que recebeu na pia batismal o nome de Fernando Camargo Pires, fez com que ânimos se amainassem e os líderes assinarem um compromisso de paz.
Fernão Dias, o bandeirante, e Jusepe Ortiz Camargo, o "Sevilhano", selaram com suas assinaturas esse documento, que incluía também a obrigação de consertar o Caminho do Mar, encargo assumido e executado por todos os familiares.


Como se Alimentavam os Povoadores Pioneiros

O primeiro grupo que residiu, possuiu sítios ou fazendas no Ipiranga, compunha-se de uns poucos que aqui chegaram em situações diversas e, como é obvio, devido à falta de escritos, anotações e também extravio de documentos, apenas algumas informações esparsas restam daqueles desbravadores pioneiros, e assim mesmo, em muitos casos, sem continuidade e a precisão necessária que possa esclarecer quem realmente foram alguns daqueles que prosseguiram com a obra de Anchieta, povoando regiões mais distantes e construindo as primeiras casas além do Pátio do Colégio.
1554: Fundação do Colégio dos Jesuítas.
Prédio desabaria em 1902 e só seria reconstruído nos anos 80
Igreja do Colégio dos Jesuítas, no séc. XVIII, aquarela de J. Washt Rodrigues.
Imagem: www.prodam.sp.gov.br


Foram tempos difíceis aqueles,
exigindo vontade férrea e grande sacrifícios para os que desejavam permanecer na terra. O conforto inexistia, as camas eram de lenho duro ou igual às dos índios, e o calor do fogo servia de cobertor aos que dormiam em toscas cabanas de sapé, ou mesmo ao relento.
Roupas e sapatos somente podiam ser adquiridos a peso de ouro, e assim mesmo só eram encontrados nos grandes centros. Quem quisesse comer tinha que caçar ou pescar, e quase sempre faltava pólvora para municiar as poucas armas existentes. Restava então, caçar com fisgas ou arpões no vau de rios e riachos, ou pegar animais à unha.
Além de tudo, tinham que enfrentar índios bravios que eram hábeis atiradores de flechas. Mas havia outra alternativa para os mais pacientes: plantar uma roça e esperar meses para comer.

Em 1585 a situação melhorara um pouco, conforme se observa na carta enviada pelo jesuíta Fernão Cardim ao padre provincial, em Portugal: Os padres (Pátio do Colégio) têm uma casa bem acomodada, com o corredor e oito cubículos de taipa, guarnecidas de certo barro branco e oficinas bem acomodadas. Uma cerca com muitos marmelos, figos, laranjeiras e outras árvores de espinhos, roseiras, cravos vermelhos, cebolas, cecém, ervilhas, borragens e outros legumes da terra e o de Portugal. A igreja é pequena, tem bons ornamentos, e fica muita rica com o Santo Lenho e outras relíquias que lhe deu o padre visitador. O padre visitador era Cristóvão de Gouveia.

A farinha de mandioca era o alimento mais consumido pelos primitivos habitantes. A carne bovina era escassa, e os poucos recursos dos moradores de São Paulo e a falta de sal, artigo considerado de luxo, obrigavam os pioneiros a se alimentarem com canjica e angu.


Mas havia muitos peixes nos rios que cortavam o Ipiranga. Conforme declarou Fernão Cardim, na pequena vila seiscentista "pescou-se desde os primórdios, embora muitas vezes por processos bárbaros aprendidos com os índios"(envenenamento das águas com os timbós ou tinguis), cascas da erva maravilhosa e assinalou.
E assinalou: "era tão forte que os rios onde se botava não ficava peixe vivo".

Contou Anchieta, certa vez, que viu matar assim "doze mil peixes de uma vez!"

O legendário padre, conforme conta F. C. Hoehne, dizia que - "o trigo, embora se desse bem na região de São Paulo, não era quase semeado nos primeiros tempos".
Affonso D'Escragnole Taunay, com base nos inventários coloniais, fala da existência de uns 50 plantadores de trigo no planalto.
- Já deu trigo mas não querem semear- (Pero de Magalhães Gandavo "Tratado da terra no Brasil".)
Pedro Tacques, referindo-se `a segunda metade do século XVII, menciona grandes searas de trigo e não menores de gado, em regiões onde estaria incluído o Ipiranga, em cujos inventários os bovinos não atingem a cifra de 200 cabeças. Tacques porém, era muito fantasioso, principalmente quando se tratava de algum parente.

Mas os carnívoros, que não se contentavam em comer somente cereais, frutas e verduras, alimentavam-se com carne de porco, de animais selvagem de pequeno porte e principalmente aves, porque destas espécies havia abundância de quantidade e qualidades. Somente anos depois, com a formação de rebanhos, a população da vila proveu-se normalmente de carne bovina e de porco.

 
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