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Veja em "Cultura" um dos bairros mais antigos da cidade de São Paulo.
História do Brasil, São Paulo e do Bairro (recomendadas para pesquisa escolar).

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História do Ipiranga - parte I -B
Obs: A história se divide em quatro Partes - Parte I A - Parte I B - Parte II - Parte III
  Continuação da Parte I - A

Inventários do Século XVII e a valorização das Terras do Ipiranga.

No século XVII eram elásticos os limites do Ipiranga, ocupando uma área topograficamente ruim onde existiam brejos, lamaçais e enchentes nas regiões ribeirinhas.
O extravio de testamentos e documentos que comprovam a posse da terra não permite fazer uma avaliação completa de quantos seriam os proprietários de minifúndios, na primeira metade da época seiscentistas, tornando impossível relatar com detalhes quantos deles haviam no terceiro quarto do século dos anos quinhentos, e os bens inventariados.
Mesmo assim é considerável o número de moradores que possuíam casas e sítios na paragem, considerando-se que São Paulo tinha sido fundada recentemente e que ainda havia índios beliciosos que eram constantes ameaça.

As terras nada valiam, naquele tempo, prestando-se somente para a agricultura.
As do Ipiranga eram muito secas, com exceção das regiões situadas à margens do rio.
Nas demais havia, em quase todas muita argila, cascalho e areia, próprios para a fabricação de cerâmica , tijolos, pavimentação e armação de concreto que , na época pouco representava.
E 1621, Catarina de Pontes era proprietária de uma casa, no Ipiranga, no termo aonde chama Ïbipiranga", e de um sítio onde havia 50 cabeças de gado, três cavalos, pomar e várias roças.
Tudo isto depois de inventariado, teve seu valor fixado em 134 mil réis.
Mas a roupa de cama e uso teve seu valor assentado em 107 mil réis.

Missia Bicudo, outro morador da mesma região, faleceu em 1632 e sua propriedade foi avaliada em 8 mil réis. Nada consta sobre plantação de gado e plantações.

Isabel Mendes também residia no Ipiranga, mas não há informações se era sitiante ou apenas moradora. Seu vizinho, Pero Domingues, em troca de seus serviços para uma construção de uma igreja não identificada, recebeu terras de valor desconhecido.

Jorge Moreira, que foi vereador durante 12 anos (1562-1599) era proprietário de sesmarias, supondo-se que suas terras situavam-se nas proximidades do rio Ipiranga ou "Ilha do Sapo".
Ele também aparece como dono de sesmaria no Butantã, na região onde está a "Capela do Bandeirante".
Em 1660, Isabel Ribeiro teve seu sítio avaliado em 32 mil réis. Esse valor incluía casa e canavial. Mas um lote de roupas, composto por peças diversas, tinha mais valor: 40 mil réis.
(roupas e calçados eram importados, naquele tempo. Por isso custavam caro)

O espanhol Pero Nunes, sapateiro de profissão e já mencionado no capítulo "Os primeiros povoadores do Ipiranga", possuía um sítio com 90 cabeças de gado, de valor não constatado.

O sitio menos valorizado era o de Diogo Sanches, avaliado em apenas 4 mil réis. Desconhecem-se outros detalhes.

Há 330 anos, as terras eram vastíssimas para tão pouca gente em São Paulo, e as pessoas nem sequer sabiam o que significavam especulação imobiliária tão a gosto de corretores de imóveis e proprietários de hoje.

Mas ainda na década de 1930, quando foi calçada pela primeira vez a Avenida D. Pedro I, os terrenos situados naquelas imediações podiam ser adquiridos por 300 réis o m2 .
Lá pelos lados da rua Silva Bueno ou alto do Ipiranga, valiam um tostão ou 200 réis.

Em 1940 os terrenos já estavam um pouco mais valorizados. Após o lançamento da pedra fundamental Hospital Leão XIII , obra do padre Ballint, assinalou-se o início do progresso daquela região da "colina histórica" onde sobejavam campos de futebol.


Hospital Leão XIII (atualmente São Camilo)

Os lotes naquele tempo local outrora considerado um ermo, foram colocados no mercado a preço de 2.500 cruzeiros (na época dois contos e quinhentos mil réis), pagos em prestações.
(Em 1956, um lote de terra c/ 330 m2 , na rua Vasconcelos Drumonnd, custava 65 mil cruzeiros com pagamento facilitado.)

Mais adiante, nas cercanias de Vila São José, onde ainda se mantinham -se em atividades sitiantes e chacareiros, as terras valiam menos porque as enchentes, a lama, o mato crescido, o mau cheiro e as ruas esburacadas e sem iluminação, não davam condições de melhoria em curto prazo.
Esta região começou a valorizar quando pavimentaram as marginais do rio Ipiranga.



Rio Ipiranga (atual começo da Av. Dr. Ricardo Jafet e na continuação "Imigrantes")

No Parque da Independência e arredores de sua parte alta, a valorização foi mais rápida.
Membros da família Jafet, nos anos vinte, quando a rua Bom Pastor não estava calçada, construíram os primeiros palacetes encimados por miranetes, (típicas casa da "elite" do bairro) hoje quase todas ocupadas por escritórios de indústrias.



Uma das mansões dos Jafet.

Em contra partida, os núcleos de Vila Carioca e alto do Ipiranga (Vila brasílio Machado, Vila D. Pedro e Vila Vera) permaneceram muito tempo desvalorizados, porque na primeira, devido äs sucessivas enchentes que chegavam a envadir casas e destruir móveis e utensílios, pouca gente se arriscava a comprar uma casa e correr o risco de sofrer prejuízos enormes, chegando ao lar viajando de canoa, com o auxílio do corpo de bombeiros .

No alto do Ipiranga não havia e não há enchentes, por motivos óbvios porém seus moradores além de amassarem barro andando pelas ruas lamacenta sem luz, até o início dos anos cinqüenta ainda tinham que caminhar um ou dois quilômetros para pegar o bonde ou o ônibus.
O retorno ao lar, debaixo de chuva, era uma verdadeira tragédia se ocorresse à noite.

Atualmente os imóveis são bem valorizados no mercado imobiliário do Ipiranga.
Depende do tipo da procura do tipo de imóvel,, há tendência para um maior ou menor preço dependendo da necessidade da procura.
Mas os palacetes que são moradias mais caras construídas nos melhores ponto do bairro, são de custo muito elevado e foram quase todos abandonados pelas famílias que neles habitavam, talvez porque as ruas onde se situam tornaram-se barulhentas e excessivamente comerciais e ou por conveniência, pois a sua manutenção é dispendiosa.
Alguns estão alugados para firmas comercias ou industriais, enquanto outros estão com vigias para preservar ricos patrimônios, estão à espera de um possível inquilino, porque não podem ser vendidos ou demolidos.
(Há uma lei Municipal criada em 1972, que proíbe a construção de edifícios com mais de 4 andares em torno de jardins e parques).


Primeiro recenseamento e as profissões arroladas

Em 1766, Morgado de Mateus ordenou a realização do primeiro recenseamento em São Paulo.
Nesse tempo a principal rua já era a Direita, onde residiam "negociantes ricos e estavam cheias de lojas de fazendas secas".
A rua São Bento vinha em segundo lugar, em importância, seguindo-se a Boa Vista (atualmente chama-se XV de Novembro) e mais os largos de S. Bento, da Sé e do Rosário.(hoje Praça Antonio Prado).
1855: O poder público municipal proíbe que as casas tenham rótulas nas portas, as meias-portas e as janelas que abram para fora.
A cidade já conta com carroças para a limpeza urbana


Rua XV de Novembro, Centro de São Paulo, séc. XIX, aquarela de J. Washt Rodrigues.
Imagem: www.prodam.sp.gov.br


A pequena Vila, naquele tempo que pouco progredira desde a sua fundação ocorrida 212 anos antes, revelou a existência de 1516 habitantes, sendo 649 homens e 867 mulheres e um total de 390 fogos. (Casas existentes em São Paulo)
Cem anos antes, talvez um pouco mais, o número de moradores era estimado em 1500 provando em termos comparativos, pouco ou nada acrescentados no desenvolvimento demográficos da "cidade" que se restringia somente às cercanias do Pátio do Colégio, onde fora fundado.


Foi no século seguinte que São Paulo apresentou índices de progresso populacional mais elevado em números mais elevado, em números a partir principalmente de 1860, na denominada época dos "Barões do Café" , ocasião em que se iniciou a imigração, de trabalhadores agrícolas europeus, notadamente desde 1891.

Os principais povos estrangeiros representados por esses imigrantes eram, o português, o espanhol e o italiano, este predominando em quantidade.

De 1870 a 1874, houve ainda a prevalência de portugueses, ocasião em que o Estado de São Paulo importou 1275 habitantes.
Mas, nos cinco anos seguintes ou seja de 1875 a 1879, esse predomínio passou a pertencer aos italianos que, entre os que passaram a residir em todo o território do Estado, formaram a maioria dos 14. 416 imigrantes registrados.

A partir da década de 1880 a imigração acelerou-se, no início lentamente, somando-se 800 mil colonos entre 1887 e 1902, somente a nacionalidade italiana, e mais 90 mil espanhóis e 80 mil portugueses, 18 austríacos, também emigraram para o Brasil, nessa mesma época, e mais 25 mil de outras nacionalidades, entre eles alemães, árabes e israelitas.

Conforme registro a revista "Engenharia (7-c)" , a população se São Paulo, segundos dados, coletados pelo IBGE (instituto brasileiro de Geografia e estatística), evolui da seguinte maneira de desde meados da segunda metade do século passado:

Ano - População de
São Paulo....................................População do Ipiranga

1872 -- 31.385
1890 --64.934
1900 --239.820
1910 --375.324
1920 --579.033 ...........................................12.064
1930 -- 887.810 ....................................................
1934 ....................................... .................40.825
1940 --1.764.141....................................................
1950 --2.377.451 ........................................60.563
1960 --3.307.163 ......................................114.744
1968 --5.785.007......................................................
1969 --6.101.910......................................................
1970 --6.339.000 ........................................171.338


Em 1980 o censo acusou 8.550.000 habitantes Paulistas, dos quais 300.000 residiam no Ipiranga.
(Em 1920 conforme descriminado o censo acima, foi também nesse ano que o censo acusou 34.676 moradores em regiões que abrangiam Vila Mariana, Ipiranga, Vila Prudente e Saúde.)
Dentre os imigrantes que compunham as levas que, com base no ano de 1891, desenvolveu-se com mais rapidez uma boa parcela deu preferência ao Bairro do Ipiranga, principalmente os italianos, porque na antiga paragem sobejavam chácaras, sítios e pomares em maiores quantidades nas proximidades do rio Ipiranga e Tamanduateí, cujas terras eram mais férteis devido às constantes enchentes.
(Em 1891, foi o ano em que a imigração italiana contribuiu com o maior número de imigrante: 132.326. No total em 1891, foram importados 215.239 estrangeiros)

Somente no Estado de São Paulo, de 1827 a 1936, entraram 2.901.204 estrangeiros e brasileiros de outros estados, com prevalência dos peninsulares que, já no final do século passado, superaram em número a quantidade de paulistanos natos.


Nessa época falava-se mais o português,
na Capital, tanto que viajantes e jornalistas que nos visitaram escreveram crônicas e relatos a respeito, inclusive a assimilação desses dois idiomas (português e italiano) que redundou num terceiro, que pode ser estendido tanto por brasileiros como por italianos, cuja língua é acessível aos nacionais.

Henrique Raffard, em 1890, assim assinalou São Paulo, a população da "Paulicéia" era geralmente uma origem estrangeira, e falava quase sempre tanto o italiano como o português.
Falava-se os dialetos da península, com a maioria dos toscanos e venetos.
Avenida Paulista.
Imagem: São Paulo 1900. CBPO / Livraria Kosmos Editora, São Paulo, 1988.

A jornalista, Gina Lombroso Ferrero, que nos visitou em 1907, assim expressou-se em seu relato:" Ouve-se falar mais o italiano mais em São Paulo do que em Turim, em Milão e em Nápoles, porque entre nós se falamos dialetos e em São Paulo todos os dialetos se fundem sob o influxo dos venetos e toscanos, que são em maioria.

Em 1895, a população de São Paulo era estimada em cerca de 130mil habitantes, dos quais 71 mil eram estrangeiros.
Poucos ingleses, belgas e suecos, uns mil austríacos, mais de mil franceses, 2400 alemães, 4.800 espanhóis, 15.000 portugueses e 45.000 italianos.

Em seu trabalho analítico, Manuel Diegues Júnior comprova que, até 1959, tomando-se como base início da entrada dos europeus o ano da oficialização (1818), entraram no Brasil 5.535.035 imigrantes.
Os portugueses perfazem o maior número, atingindo 1.718.541, seguido dos italianos com 1.614.988 e dos espanhóis, com 694.140.
Os alemães estão colocados em quarto lugar, com 25.114 imigrantes, e a colônia japonesa 222.893 a partir de 1928, quando aportaram em Santos os primeiros 781 imigrantes.

Os Russos em maior parte fugitivos do regime bolchevista instalado no país de Checov em 1917, estão calculados em 125.688.
Os de outras nacionalidades totalizavam quantidades bem menores, prevalecendo em maioria gritante o elemento de origem latina.
O historiador Brasil Bandecchi considera que a esse total devem ser acrescidos os negros importados durante o século XIX, calculados em 1.600.000 por Afonso Taunay.

Entre as famílias italianas mais antigas, radicadas no Ipiranga a partir de 1891, podem ser citados os Marconcini, os Fioretti, os Moretti, Marchesini e outros.
E os Jafet, todos com descendentes de 3ª e 4ª geração.


Familia Jafet

Benjamin Jafet foi o primeiro da família chegar ao Brasil, em 1887, então com 20 anos. Ele morava no Líbano e teve um sonho de que deveria tentar a vida num outro País. Depois vieram os irmãos Basílio e João, Miguel e Nami.
Benjamin passou a trabalhar com mercadorias compradas em Marselha e vendidas na região do Rio, São Paulo e Minas Gerais. Era conhecido como o mascate do Líbano
Os irmãos Jafet, que trabalhavam no ramo de tecidos, notando que no Brasil havia poucas indústrias têxteis decidiram implantar uma fábrica no País e escolheram o Ipiranga, que ficava a cinco quilômetros do centro. A área escolhida éra um brejo e houve um trabalho intenso para preparar o terreno e construir a fábrica, na rua dos Sorocabanos. A fábrica se expandiu e a família instalou outra unidade na Vila Carioca, o Lanifício Jafet, também conhecido por "Jafetinho". Além da Fiação Itapeva, na avenida Presidente Wilson. A tecelagem da Sorocabanos era chamada de "Jafetão. A família trabalhou também nas áreas siderúrgicas e metalúrgicas. Com o decorrer do tempo as duas indústrias se tornaram conhecidas não só a nível nacional como fora do Brasil. Os Jafet, então, passaram a comprar grandes áreas de terras no Ipiranga e Vila Prudente.
As esposas dos diretores do grupo tinham forte atuação na área social e ajudaram na construção do Colégio Cardeal Motta, Hospital Leão XIII, Clube Atlético Ypiranga entre outras entidades. Um conjunto de prédios de apartamentos, existente até hoje, foi construído entre as ruas Manifesto e Patriotas para abrigar os operários, muitos deles vindos de outras regiões.

Em 1900 chegava ao Brasil, procedente da Itália, Américo Paschoalino Samarone que começou a trabalhar na cerâmica de um francês que acabou dando nome à regiao do Sacomã. O imigrante italiano foi recebendo promoções até chegar a sócio majoritário da indústria que ficava na região onde existe hoje um supermercado (atual Pão de Açucar).
Atrás da cerâmica existia uma enorme lagoa que ficou conhecida como "Buraco da União", e onde morria muita gente. (feito pela Ceramica Sacoman)

A cerâmica funcionou até 1950 e seu proprietário construiu um castelo à margem de um lago, onde atualmente é a Praça Altemar Dutra. O castelo foi derrubado em 1968. A família Samarone perdeu grande parte das terras devido as desapropriações pelo Estado e Município para obras do sistema viário.

Dessa época, só restam os galpões das antigas fábricas de tecidos e imóveis comerciais, no lugar da cerâmica. Apenas três empresas mais antigas do bairro continuam em atividade. A Fábrica de Máquinas Famasa, a De Ranieri e a Coats Corrente (antiga Linhas Corrente), que nasceu na Escócia e está localizada na Rua do Manifesto, 750, desde 1907.

Na época contam, existia um enorme arco ligando a mansão à estrada do mar onde atualmente está a favela de Heliópolis. Naquela época, quando explorava a cerâmica, que ficava no ponto final do "Bonde Fábrica", a família construiu uma creche para os filhos de seus funcionários.
Hoje os Samarone estão na quarta geração.

OBS: Imagem texto em azul, fonte pertencente ao Site "Bairro do Ipiranga"
Imagem atual de onde ficava a lagoa do Sacoman (Na época também morreram muitas crianças afogadas - de tantas foram as reclamações que a prefeitura só fechou o buraco nos anos 60) (início da Via anchieta, lado direito.

As duas famílias de imigrantes (Jafet e Samarone) criaram mais de 10 mil empregos diretos durante sua passagem pela região.

 
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